Wenders e Salgado

O que converte um autor e sua obra em clássicos? Sem dúvida, um dos requisitos é a universalidade.

Como Wim Wenders e Sebastião Salgado. Em O sal da terra, os papéis invertem-se e é Wenders quem faz um retrato de Salgado, numa sinergia tal entre autores e suas expressões artísticas que a obra de ambos parece multiplicar sua transcendência, a ponto de evocar essa tal universalidade.

Ao longo das suas vidas, tanto Wenders como Salgado têm demonstrado sua preocupação com os dramas particulares que focalizam através das suas respectivas lentes. O trabalho de ambos transpira o arraigo, a identidade local e as peculiaridades já seja do cubano, do etíope, do mongol, do esquimó, do sérvio ou do kosovar. E é nessa forma de atuar que pode se resumir a antítese da globalização que se encontra, justamente no lado oposto da rua que a universalidade.

Há muito tempo, Wenders e Salgado deixaram de ser o alemão de Düsseldorf e o brasileiro de Aymorés para desenvolverem infinitos processo de mimetização, condição primeira para conseguir a empatia necessaria para produzir obras universais e daí, serem clássicos

O sal da terra é um relato franco, honesto e duro, ideal para assistir com a mesma disposição com que Salgado busca suas instantâneas, obtidas em segundos – quando é preciso proteger-se dos tiros - ou após os meses necessários para conseguir as circunstancias necessárias para um determinado registro fotográfico.

Por isso é uma obra essencial, e candidata potencial a ser um clássico.

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