As tribos e a crise de identidade de um clássico

06.11.2017

Quem marca as tendências realmente? Faz alguns dias, caminhando por uma cidade mediterrânea, cruzei meu caminho com um casal de japoneses. Piercings, cabelos multicoloridos, algumas peças de roupa ao estilo militar, botas com flores e adereços evocando o Manga.

Definitivamente, nada convencionais. Logicamente, chamaram a atenção de um grupo de senhoras que puxavam seus respectivos carrinhos da compra.

Por um momento, senti-me em terra de ninguém até que decidi posicionar-me entre ambos, como se eu assumisse minha condição de transição cultural. Melhor, como uma espécie de embaixador, capaz de transitar entre todas as culturas, de conviver harmoniosamente e sem levantar suspeitas, tanto com os integrantes de uma tribo urbana digamos, exótica, como de um grupo de senhoras conservadoras.
 

 

Sou um clássico, pensei. Ao que se seguiu uma mistura de sensações, nem todas fáceis de digerir.

Procurei uma vitrine com ímpeto de encontrar minha identidade no meu próprio reflexo. Em quanto repetia mentalmente: quem marca as tendências?

Muita gente acredita que é gente como aqueles dois japonese. Outros pensam que uma sociedade como a japonesa está permanentemente à frente e que muito poucas conseguem acompanha-la, quando eu prefiro a minha própria versão: mal dá tempo.

São fenômenos como irrupções - ou como as erupções cutâneas - que desaparecem em algum tempo.

Enquanto finalmente percorria meu reflexo na fachada envidraçada de um hotel, convenci-me de que sou um clássico. Ajeitei minha bermuda moderna, com um corte que melhorava minha figura e favorecia meus pontos fortes. Uma camisa adequada para aquela temperatura, solta e com excelente caimento. Calçados informais e confortáveis além do detalhe do brilho de uma minúscula pedra no lóbulo da orelha.  Senti-me cômodo e adequado.

Talvez sejam mesmo as tribos urbanas que marquem as tendências. Até a chegada da próxima ou do Outono. Mas são os clássicos que definitivamente estabelecem as pautas.

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